Sun City – Bonaventure Hotel – 10:00 AM
A recepção de um dos hotéis mais suntuosos da região, rico em detalhes arquitetônicos e esculturas simbólicas era chique até demais! Luke segue até o balcão para anunciar sua chegada, deixando Andy, Dan e Julie a sós por um segundo... Que inocência! Ele não devia ter feito isso! Um segundo foi o tempo de Andy correr até a lojinha do Hotel, enquanto Dan e Julie disparavam para o refeitório de onde exalava um aroma delicioso de café fresco. Após as compras e o café, o quarteto sobe de elevador panorâmico a Sala de Conferências, onde o chefe de Luke os esperava. A imensa sala era composta por móveis do século XIX como uma comprida mesa de madeira maciça para trinta lugares e uma extinta cristaleira. Ao fundo, havia uma segunda porta de vidro fumê, que dava para outra sala, essa em total escuridão, onde o tal chefe descansava. Andy, Julie e Dan dirigem-se ao centro da sala, acompanhados por Luke, parando ao lado de uma janela aberta que ocupava quase a parede inteira, de tão imensa que era. Percebendo a chegada deles, o misterioso homem, sem sair da sala escura, fala num tom sinistro e poderoso:
-Bem-vindos, viajantes... Tenho uma certa aversão a luz, por isso nossa conversa terá de ser assim.
Como sempre, Jú dispara sem pensar:
-Por que não deixa a cordialidade de lado e vai direto ao assunto?
O chefe demora um segundo, num suspense premeditado e sombrio, enquanto eles aguardavam na expectativa, depois continua:
-Sabem o significado de The eXplorers?
Segurando a mala de mão debaixo do braço, Dan começa, um tanto receoso, a voz sai presa:
-É um tipo de projeto secreto...
BAM! Ele é interrompido pelo som da janela batendo com tamanha força que não se sabe como o vidro não se espatifou, isso os fez tremer de susto e voltar a atenção para o tempo lá fora. Só então, notam que começava a ventar forte, as árvores se curvavam em arco, folhas e sacos plásticos voavam pelos ares. Com o susto, Andy deixa cair a sacola que havia comprado na lojinha do hotel e um bicho de pelúcia salta de dentro no chão. Julie se abaixa para pegar, dizendo brincalhona:
-Oh, amiga! Diga que isso não é pra você! - levanta, entregando a sacola a ela.
-É pra alguém que conheço... - Andy parece constrangida por alguma razão.
-Ufa! Por um momento, achei que tivesse com saudades do babuíno que invadiu nosso chalé – brinca de novo, abrindo um sorriso escrachado.
Luke caminha até a janela fechando-a com a tranca. Todos ouvem a voz sinistra outra vez
-NÃO É A RESPOSTA QUE EU ESPERAVA, DANIEL CROWE.
-Sério? Olha minha cara de preocupação! – ele sussurra fazendo Julie rir de novo, tendo que respirar fundo e morder os lábios para conseguir conter o riso que teimava em voltar a qualquer hora.
Sem deixar se levar pelos brincadeiras dos amigos, Andy dá um passo a frente e mostra o quanto é fera em inglês:
-O verbo “to explore” significa investigar, explorar, pesquisar. Daí, conclui-se que “The eXplorers” são "Exploradores... de algo".
Um segundo depois, aquela voz soa como um eco ao fundo.
-É isso que somos, e o que fazemos – pausa. - The eXplorers é uma organização secreta que investiga a verdade por trás de casos ligados a extraterrestres. Viajamos pelo mundo, em lugares isolados se preciso, onde ninguém sequer imaginou existir vida, em regiões perdidas, santuários da natureza, arriscando a vida pelo bem da humanidade.
-Investigando casos paranormais? Ets? - sorri Andy sarcástica quando Dan e Julie ficavam sérios de repente. - Soa bonito falando assim, me faz lembrar uma extinta série de tv, chamada Arquivo X...
-Eu soube que você desacredita em discos voadores - silêncio. - É sua chance de se unir a nós e descobrir por si própria até onde pode chegar...
-Com que objetivo? - pergunta Dan interessado. - Pra que tudo isso? Essa coisa de “pro bem da humanidade” ou de “salvar o mundo” é puro clichê. O que quer de verdade?
-Desvendar seus enigmas, impedir uma invasão em massa. Por isso, reunimos peritos em diferentes áreas que se encaixam no perfil e, oferecemos um treinamento digno de agente secreto da cia.
Julie olha enviesado para Luke, entrando na conversa:
-Nesse treinamento ensinam a serem assassinos? Meu amigo Dan foi atingido por um de seus homens e quase quebrou um... um... membro– vira para Dan e dá uma piscadinha, ele revira os olhos sem acreditar no que acabava de ouvir.
Andy vê de relance um vulto estranho andando na sala escura e tem a sensação de que aquela criatura nas sombras não era humana. "Está fantasiando, Andy", pensou com seus botões. Por precaução, deu um passo pra trás ficando ao lado dos amigos. Sentia-se bem mais segura perto deles. A voz poderosa soa branda:
-Lamento – o chefe se desculpa. - Robbins só tentava proteger nossa equipe. Ninguém está pronto para a verdade. Mas, jamais usamos armas de fogo contra humanos, nem eliminamos curiosos, apenas despistamos como podemos, escondendo a origem de tudo.
-Mentira! - afirma Jú sem medo. - Vi um dos seus homens armado na noite da queda.
-Laser guns: disparam uma leve descarga elétrica incapaz de matar uma mosca, apenas a deixa tonta. Mas, só agentes senior tem permissão para uso.
-Senior? - repete Dan baixinho virando pra Luke.
-Só os melhores, os mais experientes – cochicha Luke.
-Aaaaah! - sussurra ele e Jú ao mesmo tempo.
Cansado, Daniel larga a mala de mão da Andy sobre a comprida mesa da sala e pergunta direto:
-E o que quer com a gente? Pra que nos intimou a vir aqui?
O homem solta uma risada arrepiante, pareceu saída de um filme de terror:
-Simples... Vocês não receberam treinamento nenhum e tiveram sucesso onde uma equipe inteira falhou. São inteligentes, corajosos, agem de improviso... - pausa. - Não me surpreenderia se tivessem provas da existência daquela nave e do “ser” já sem vida que havia dentro. Quero que se juntem a nós, colaborando com o governo. Aceitam?
Sensata como ninguém, e já achando aquele chefe do Luke um lunático doido que não falava coisa com coisa e que devia estar internado num hospício para não encher o saco dos outros, Andy recusa de cara:
-Negativo. Agradeço a oferta, mas deixei meus poderes de supergirl em Kripton e nesse caso, tenho que voltar pra casa! – brinca fazendo referência a série Superman. - Hora de ir, galera.
É então, que Julie pisa no pé dela sem que esperasse, dizendo:
-A Andy é sempre brincalhona!... O que ganhamos se aceitarmos a proposta? - diz, tentando não demonstrar muito interesse. - Ou, melhor, quanto?
A voz responde num tom amável e tentador:
-Três cheques em branco: o valor a ser escolhido por vocês, com direito a benefícios especiais e quando viajarem, todas as despesas pagas. Claro que devem assinar um termo de sigilo absoluto e... Trabalhar com Robbins.
-Poxa-poxa! Já começou mal... – retruca Julie olhando de lado para Luke, que abre um sorriso provocador.
-Espera! Vai nos dar cheques EM BRANCO? - Dan confirma, recebendo um olhar de desaprovação total da Andy. - Podemos escolher o valor que quisermos? Pra valer??
-Quanto desejarem – a misteriosa voz responde tranquila demais, como se fosse o gênio da lâmpada prestes a realizar seus desejos impossíveis.
Bem, a proposta era atraente. Por que não pensar a respeito? Puxando Andy e Julie para um canto da sala, Daniel pede licença:
-Nos dá um segundo, senhor...? Qual é mesmo seu nome?
-Prefiro manter o anonimato – responde.
Os três fazem uma rodinha para decidir, enquanto Luke abria uma gaveta e dispunha três cheques em branco sobre a mesa.
-Que acham? - sussurra Dan super animado. - Viveríamos viajando!!! Não é ótimo??
Balançando a cabeça negando, Andy questiona:
-Tão fácil assim? Dan, e se essa organização não for do governo? Podem estar nos sacaneando! O lance é muito suspeito! Ninguém oferece tanto dinheiro a alguém sem querer algo grande em troca...
Julie concorda. - É verdade, muuuuito suspeito. Falamos com um anônimo que nem mostra o rosto. E essa história de não aparecer na luz?... O que o cara é, um vampiro?
Daniel tira uma caneta do bolso e aciona um botão vermelho, elas não sabiam, mas ele estava com um poderoso bloqueador de escutas na mão. Agora podia dizer o que pensava sem medo. Mas, antes que pudesse abrir a boca, Andy foi mais rápida:
-Julie, amiga, vampiros não existem! Mas, há uma doença de pele que provoca...
-ANDY! CALA A BOCA, POR FAVOR! - diz Dan alto, depois baixa o tom. - Foco, gente! Acho que o chefe do Luke tá envolvido com algo perigoso, talvez por isso não queira revelar sua verdadeira identidade... Tenho um plano: vamos fingir que aceitamos e investigar escondido, pra ver de que lado estão. Esse será nosso segredo: aceitar pra descobrir a verdade.
-Isso é arriscado demais! – avisa Andy insegura. - E se eles descobrem que estamos fingindo?
-Pode ser... Mas, já arriscamos desde a noite que vimos aquele disco voador – fala Dan. - Vão desistir agora?
Julie concorda com ele. - Talvez essa seja a razão de estarmos juntos. Nossos mapas astrais são interligados, lembra?... De qualquer forma, já somos uma equipe. Eu topo!
Os dois viram para Andy, que demora a resolver só pra irritar os amigos anciosos:
-Não sei... Parece tão irreal!... - coça a cabeça, pensando. - Bom, eu poderia descobrir mais sobre o Luke, não é? - ela olha pra Dan que consente. - Ok! Sei que vão precisar de mim mesmo... Fechado.
Voltando-se para a sala escura, ambos comunicam sua decisão, assinam o termo de sigilo com Luke e cada um preenche o cheque em valores elevados. Andy escreve um milhão achando que iam suspender a proposta, mas Luke leva os cheques a sala escura e retorna dizendo que agora faziam parte da equipe. Os três se entreolham por um instante, esperando terem tomado a decisão certa, ajudando a proteger a humanidade seja de invasores ou dos próprios The eXplorers. Tudo combinado, os três deixam a sala e já no corredor, acionam o botão do elevador. Muitas perguntam vagavam em suas mentes, deixando-os quase loucos! O que viria a seguir? E se não cumprissem o termo de sigilo? A próxima viagem seria pra decifrar as figuras de Nazca ou pra Disneyworld? O silêncio só é quebrado pelo som metálico do elevador subindo. BLIM! As portas duplas se abrem ao mesmo tempo que Luke surge correndo pelo corredor e grita:
-Andy!!
Dan segura a porta direita com uma mão enquanto Julie segurava a esquerda. Sem pressa, Andy vira pra trás, a menos de um metro de Luke e o encara.
-Agora que vamos trabalhar juntos, podemos ao menos tentar ser amigos? - pede baixinho.
Ela admira aqueles lindos olhos azuis por um instante, depois responde no mesmo tom:
-Isso é algo que não podemos ser, Luke.
Virando de costas, Andy segue em frente e entra no elevador. Dan e Jú entram em seguida e se posicionam a seu lado. Luke olha para os três numa fração de segundos antes que as portas duplas fechassem diante de si numa batida metálica. BLIM! E em cada um dos quatro, permanece a certeza de que em breve seriam chamados para uma missão secreta, dando início a uma nova aventura...
Fim.
Annie Lane


Muito interessante teu Blog! Parabéns! Bj
ResponderExcluirOi! Obrigada!! Continue acompanhando a série!
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