sábado, 2 de abril de 2011

"O início de tudo"

Residencia de Andrea Sullivan - Sao Paulo 07:30pm

A luz do quarto ainda estava acesa e o silêncio só não era completo devido ao sopro frio do vento que vinha de fora. Com rapidez, a garota de 25 anos, vestida de preto, cabelos castanhos lisos com mechas douradas da altura da nuca, fechou o zíper de sua mochila emborrachada sobre a cama. Nada poderia detê-la agora, era hora de viajar!! Rumo a novas aventuras e descobertas! No entanto, desatenta ao que acontecia ao redor, de repente sentiu “algo” tocar seu ombro e virou pra trás assustada!... Para sua surpresa, era apenas a cortina branca da janela que se movia como um fantasma imenso e ameaçador, prestes a agarrá-la a qualquer momento. Ufa! Ajeitando a mochila nas costas, Andy abre um sorriso secreto, dizendo a si mesma:

-Isso é o que dá assistir tanto filme de terror... Agora vejo fantasmas nas cortinas!
Então, ouve uma buzina de carro vinda da rua: o som era a inconfundível risada do pica-pau. Dando um passo pra trás, aplica uma última olhada no quarto: espalhadas sobre a curiosa colcha de retalhos disposta sobre a cama de ferro, laqueada de branco, haviam várias peças de roupas; almofadas jogadas pelo piso de madeira, ao invés de enfeitarem o sofá de vime próximo a janela; sem contar as meias coloridas que tentavam escapar das gavetas como um arco-íris... Que bagunça! Acabava de pôr em dúvida a sua fama de garota “certinha”, e quem se importava? Era independente, estava com a cabeça a mil e depois... Seria super divertido arrumar tudo na volta!... Depressa, a jovem desliga a luz e deixa o quarto, desce as escadas correndo, passa pela sala ampla onde espicha os olhos para os porta retratos de família, e bate a porta do sobrado ao sair. Do lado de fora, um rapaz a esperava, encostado em seu velho jipe vermelho: companheiro de aventuras off-road. Assim que Daniel vê Andy, fala num tom brincalhão:
-Pronta pra zarpar? - abre um sorriso lindo exibindo duas covinhas no rosto.
-Quase! Já teve a estranha sensação de estar esquecendo algo, Dan? – brinca Andy com um sorriso sarcástico, dando-lhe um abraço.- Claro que sim, sempre pronta! Vamos nessa?
Dan sorri novamente. era o tipo de cara bem humorado, de 26 anos e olhar de anjo. Tinha o cabelo castanho curto, físico levemente atlético, alto e, embora todos pensassem o contrário, a relação entre eles era apenas de amizade. Assim que entram no carro, Dan pergunta com ar de provocação:
-Vai passar cinco dias na Austrália e só o que trás é uma mochila?
-Pretendo comprar coisas novas lá!
Ele se surpreende ainda de bom humor:
-Nem pegamos o avião e já pensa em gastar? Você não existe!
Ambos trocam um olhar cúmplice enquanto partiam a toda velocidade rumo ao aeroporto... Prestes a embarcar em uma viagem alucinante!...

*Aeroporto internacional – 8:00pm
Tudo parecia correr bem de início, quando a dupla decola no Boeing com destino a Austrália, mas... Ao sobrevoarem a África, um estranho fenômeno acontece. Sem que esperasse, a música “Fix You”(ColdPlay) que Andy ouvia no mp3 é substituída por uma série de zunidos inconstantes e agudos. Ela arranca os fones de ouvido e dá um tapa no braço do amigo:
-Dan! O que você fez?
-O que EU fiz? - ele fica sem entender. - Do que tá falando?
-Do zunido no meu mp3! É brincadeira sua, não é? Você apertou algum botão sem que eu visse e...
Do nada, as luzes do avião piscam seguidas vezes. Todos sentem um forte solavanco. A comissária dirige-se as pressas para a cabine do piloto, podia-se notar que suas mãos encontravam-se trêmulas. Virando pra Andy, Dan cochicha:
-Acredita se eu disser que também ouvi algo estranho??... Acho que veio de fora!
Ela não tem tempo de responder de volta. BAM!!! Um barulho brusco acompanhado de outro forte solavanco faz com que os objetos caiam do porta-bagagens sobre as pessoas, gerando pânico no ar, enquanto tudo o que era elétrico apagava sem motivo. A impressão era de que “alguma coisa” havia se chocado contra o avião, ou “eles” batido em “algo grande”. Mas, o quê??? Terminada a “turbulência”, um rapaz gordinho grita lá do fundo, chamando a atenção de todos:
-Onde ela pensa que vai? Vá sentar, mocinha!
Eis que surge no corredor uma bela jovem usando um chamativo sobretudo vermelho, correndo sem temer o perigo, e entra feito um foguete na cabine do piloto. Devia ter uns 24 anos, estatura média, e seus cabelos castanhos longos estavam presos de improviso por uma caneta bic no alto da cabeça. Segurando firme no assento, Andy alerta:
-Dan! Isso NÃO É uma turbulência comum! E, acho que aquela garota que passou sabe o que tá havendo... Você é detetive, faça alguma coisa!!
-Ok, vou checar – avisa, desativando o cinto de segurança e levantando.- Fique aqui e tranquilize os passageiros.
Sem dizer nada, Andy coloca a máscara de oxigênio que agora despencava sobre as pessoas e fecha os olhos com força. Antes de acalmar os passageiros, era preciso acalmar a si mesma... Afinal, ela era uma simples arqueóloga e não comissária de bordo.
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Logo de cara, Dan descobre algo que o deixa intrigado: a cabine tinha sido trancada por dentro. Mas, como era um detetive ótimo em burlar códigos eletrônicos, dá um jeito de abrir a porta, entrando na cabine do piloto de supetão. E, o que vê o deixa de boca aberta!!... Na frente do avião, um objeto metálico sob a forma de prato, de luz intensa e penetrante, mantinha-se imóvel no céu como se planasse. Deu pra notar que havia uma espécie de cabine na parte superior do objeto e, embaixo, luzes azuis hipnóticas. A primeira impressão era de que aquilo não era real, que fazia parte de uma ilusão de óptica, de um delírio momentâneo e inaceitável. Até que alguém surge por trás de si e puxa seu braço, assustando-o:
-NÃO DEVIA ESTAR AQUI! - era a misteriosa moça do sobretudo vermelho.
Virando para trás, Dan a encara confuso, depois volta a olhar pra frente com atenção redobrada. Só então percebe que o piloto, copiloto e a comissária pareciam em estado de hipnose, como se fossem estátuas de cera que respiravam, controlados por “aquela luz”. Dan até tenta sacudir o piloto, mas percebe que nada o fazia reagir... Estava paralisado!!!! As únicas pessoas conscientes ali, eram ele e a garota de vermelho de pé ao seu lado. Em tom de dúvida, pergunta com os olhos fixos no disco voador:
-VOCÊ TÁ VENDO AQUELE “OBJETO” EM FRENTE O AVIÃO??? TÁ VENDO O MESMO QUE EU??

-SIM... É UM ÓVNI!! E QUER SABER? TEM MAIS LÁ FORA!- afirma a jovem sem hesitar, nem demonstrar medo.
Daniel a olha sentindo-se “mais perdido do que cebola em salada de frutas”, ela falava de um modo como se já tivesse visto aquilo antes, como se fosse algo normal e... Bom, esse não é o tipo de fenômeno que se vê por aí todos os dias... Estamos falando de discos voadores, de forma de vida extraterrestre!... Quem já viu algo assim?

"Na mira do objeto"

A jovem respira inquieta, no entanto, Dan podia ver em seus olhos que ela tinha certeza absoluta de cada palavra que dizia:
-Sabe aquele solavanco que tivemos? Batemos num óvni! E acho que o deixamos bem irritados!... Há mais de uma nave lá fora a nossa espreita, mas sou piloto e vou cuidar de tudo. Agora, por que não volta de onde veio? Tá atrapalhando!
Determinada, ela segue em direção ao piloto e o tira de seu assento, ocupando seu lugar. Era questão de vida ou morte, pra que perder tempo discutindo com um intrometido que sequer conhecia? Mas, ao invés de ir embora, Daniel se aproxima e faz o mesmo com o co-piloto, perguntando curioso, enquanto sentava a seu lado:

-Afinal, quem é você, gata? Vem sempre por aqui?
Surpresa com a pergunta dele, que soava mais como “a pior cantada do mundo”, ela sorri e responde:
-Julie. A piloto que vai salvar esse vôo... E você?
-Dan. O louco que vai tentar ajudar – responde de volta.
Sem demora, a garota começa a acionar os comandos do Boeing com a segurança de uma profissional competente. No entanto, isso dura pouco, sem explicação ela interrompe o que está fazendo e olha nos olhos dele por um instante, como quem tem uma “surpresa” pra contar. Daniel repara em seu rosto bronzeado, delicado, sem contar no seu agradável perfume de rosas que se dissipava pela cabine como um buquê. Talvez a convidasse para jantar um dia desses “se sobrevivessem a esse momento de adrenalina pura”, é claro. Em tom de alerta, Jú avisa:
-OS COMANDOS NÃO FUNCIONAM! NADA FUNCIONA!! HÁ ALGO ERRADO NESSE VÔO! - ela pede socorro pelo rádio em inglês. - MAYDAY! MAYDAY! WE HAVE A BAD SITUATION HERE! MAYDAY!!! - ao ver que o rádio parecia fora de sintonia, com um chiado barulhento ao fundo, vira pro Dan e resmunga qualquer coisa baixo. - ...E os astros diziam que hoje era meu dia de sorte!...

Dan procura manter a calma, sua voz agora assumia tom de veludo:
-Tudo bem, Julie. Você disse que podia cuidar de tudo, não é? Então faça isso, é simples assim.
-É estranho!... Perdemos um pedaço da asa direita com a colisão, o avião devia estar caindo num parafuso mortal... E, no entanto, continuamos planando, PARECE QUE ESTAMOS SENDO CONDUZIDOS PRA ALGUM LUGAR, só não sei pra onde!
Ao ouvir isso, o detetive se desespera! Parecia impossível manter-se calmo com aquela garota de vermelho do seu lado:
-Se o seu plano era me deixar apavorado, parabéns, conseguiu! - ele berra.
-Ótimo! Era tudo o que eu queria! - rebate Julie com ironia, depois volta-se para o painel e continua falando, sem conseguir olhar pra ele. - Nunca passei por isso antes, ok? Também tô assustada!! Acho que estamos sendo conduzidos pra baixo porque estamos perdendo altitude, mas sequer posso acionar a torre porque o rádio foi detonado... A idéia era aterrissar na África e...
-ÁFRICA??? O que fazemos na África?? - ele fica pálido. - Preciso chegar a tempo pro casamento do meu irmão na Austrália!!
Sem pensar, ele fecha o punho e dá um soco no painel de controle com toda a força que tinha. De imediato, as luzes da cabine piscam várias vezes e os óvnis desaparecem riscando o céu feito show de laysers na escuridão infinita, ao mesmo tempo em que os comandos voltam a funcionar bem quando estavam próximos do solo e a uma velocidade razoável. Enquanto ele sacode a mão que doía por conta do soco, Julie assume o controle da aeronave com um sorriso de quem vai aprontar alguma:
-Consegui! Prepare-se! Agora sim nós vamos nos divertir!
Daniel segura firme no assento e reza. Não sabia o que era pior: o óvni controlando o avião, ou a Julie. Em segundos, realizavam uma aterrissagem forçada em uma área remota da África do Sul. Julie foi arrastando galhos, plantas, árvores, teias de aranha, cobras, e tudo o que havia pela frente com o avião em uma corrida alucinante. Até parar em uma clareira, livrando os passageiros de uma queda fatal. Vivos e contentes, Jú e Dan se abraçam.
Regiao desconhecida – Africa do Sul – No meio da madrugada
Sem que ninguém percebesse, Jú afasta-se dos passageiros pra descobrir algo que não saia de sua mente: ela viu quando o óvni se chocou com o avião e mudou de curso, sabia pra qual direção seguiu porque o avião foi “conduzido” para um local próximo e nesse momento, estava a caça do objeto. Aproveitando que todos estavam distraídos, escolhendo lugar para fazerem uma fogueira a espera do resgate, ela escapou por uma trilha escondida, desviando das plantas do caminho com as mãos e subiu em um grande rochedo. Sozinha, tirou uma luneta dourada de dentro da mochila – sua luneta de estimação - ajustou o foco e olhou... Não para as estrelas, mas para uma região perdida nas matas. E o que buscava, estava bem ali... Tão perto... Tão fácil de ser alcançado... Só o que não contava era ter sido seguida por Daniel:
-Julie? - chama Dan a uma certa distância, procurando-a. - Está aí??
Rápida. ela abaixa a luneta e vê Dan se aproximando com uma garota loira. Sem demora, pula do rochedo indo ao encontro dos dois... O que ele podia querer justo agora?


"Buscando respostas"

Julie olha de relance para Daniel enquanto se aproxima dele, antes não havia reparado o quanto ele era bonito, alto, talvez porque estivesse mais preocupada com o impacto do avião no solo, ou com a suposta “ameaça de invasão alienígena na Terra”.
-Procurando por mim? - pergunta como se já soubesse a resposta.
Abrindo um sorriso charmoso, Dan consente e se aproxima um pouco mais, parando a um passo de distância dela:
-Acho que não fomos apresentados direito. Meu nome é Daniel e essa é minha amiga Andrea, ou Andy se preferir – diz sem tirar os olhos da Julie, enquanto Andy vinha se juntar a dupla.
Jú se limita a acenar com a cabeça, não era o tipo de pessoa que sai dando mil beijinhos em quem acaba de conhecer. Num tom amigável, Andy aproveita pra fazer um elogio, sua voz soa suave como uma brisa:
-Puxa! Você deve ter muita experiência como piloto! Ou então, não seria doida de fazer uma aterrissagem daquelas.

-Na verdade, sou doida! Foi a primeira vez que fiz algo assim! – admite Jú com um sorriso debochado, enquanto os dois a encaravam espantados. - Sou astrofísica formada, pilotar é apenas farra pra mim, nunca trabalhei como piloto na vida, tudo o que sei aprendi com meu pai, ele sim era um ótimo piloto... Eu só dirijo ultraleves velhos, desses caindo aos pedaços e cheios de perigo, mas nunca um Boeing com tantos passageiros... Meu, foi pura sorte!
Descontraída, Julie dá uma piscadinha para os dois e se abaixa, abrindo a mochila para guardar a luneta dourada, enquanto ouve Daniel pedir algo com sua voz de veludo:
-Ouça, Jú... Andy duvida que vimos óvnis lá em cima. Diga pra ela a verdade.
Admitir algo tão importante agora seria o mesmo que “pisar em terreno perigoso”, Julie silencia por um instante buscando uma outra saída. Sabia que o melhor seria fazê-los esquecer o assunto, evitar especulações futuras. Afinal, nem toda a humanidade está preparada para a existência de vida fora do planeta:
-O que houve foi... uma pane – mente.
Apoiando o braço no rochedo e olhando dentro de seus olhos de um jeito super desapontado, Dan insiste:
-O que há com você, Jú? Diga verdade! - silêncio. - Andy não vai contar pra ninguém, estamos todos juntos nisso!

Com a maior “cara de pau”, Julie põe a mão no ombro dele, e diz séria, como uma atriz representando uma cena de novela dramática:
-Dan, aquilo que você viu no céu era um “urubu”. Foi o urubu que causou a pane nas turbinas e nos fez cair. Lembra?
Sem se conter, Andy racha de rir, achando que o amigo viu um “urubu” e imaginou ter visto um “disco voador”:
-Eu sabia, que mico! - pausa. - Dan, é comum avistar luzes no céu a noite ou papéis brilhantes levados pelo vento e imaginar coisas. Extraterrestres não existem! Vem, vamos voltar pra perto dos outros passageiros!
-”ELES” EXISTEM! E VEM NOS VISITAR!- afirma Dan olhando pra Andy e depois voltando-se pra Julie. - Só que poucas pessoas sabem e preferem guardar segredo!... Por medo talvez... Achei que fosse mais corajosa, Julie!
Como tinha o gênio forte, Julie se irrita com o comentário dele e responde áspera:
-E o que VOCÊ sabe sobre mim? Nem me conhece, cara! - ela o encara de frente. - Eu detesto ser chamada de medrosa!
-Tem razão, não conheço você... Mas, adoraria conhecer. Conte a verdade e quem sabe podemos nos conhecer melhor... – sugere Dan chegando mais perto e exibindo um sorriso conquistador irresistível. - Por favor, Jú, não é tão difícil assim dizer o que viu.
-Isso é ridículo! - zomba Andy sem acreditar nele. - Daqui a pouco vão dizer que era o Papai Noel montado num trenó. Vamos lá, Dan, estamos perdendo tempo aqui.
Ao perceber o quanto Andy era descrente nesse assunto e o quanto iria zombar do Daniel por causa de sua mentira, Julie muda de idéia, e torcendo pra que Andy estivesse preparada para a realidade, revela:
-Está bem... Está bem... Quer saber o que vimos? - pausa longa. - Foi algo enorme, que bateu em nós com uma força suficiente pra destroçar uma das asas do avião e depois cair, há metros daqui!... E está bem perto porque... Acabei de ver na minha luneta.
-Sério??? - Dan não esperava por essa e quase cai pra trás. - Mesmo?? Fala sério!
Ela faz suspense antes de continuar:
-Bem, só avistei uma nuvem de fumaça escura, mas minha intuição diz que veio do óvni. E se estiver certa, deve haver um extraterrestre ferido lá, devíamos ajudar.
Crente que era uma piada, Andy dá outra gargalhada:
-Estão brincando, né? Isso não pode ser verdade! É loucura!
-Será?... Talvez a Julie esteja certa. Por que não vamos conferir? - propõe Dan em tom de desafio. - O resgate vai demorar horas, nada melhor do que um “safári noturno” enquanto esperamos. E aí? Quem tá comigo?
-Eu já ia pra lá de qualquer jeito – diz Julie balançando os ombros e os dois viram para Andy.
A idéia era tentadora, porém arriscada. Podiam ser picados por uma cobra venenosa antes mesmo de chegarem na metade do caminho. Mas, naquele momento, nenhum dos três sentiu medo... Era cedo para temer, comparado ao que estava reservado para eles depois...
-Fechado! - Andy concorda depressa. - Vamos explorar a Africa selvagem.
Pronta pro que der e vier, Andy ergue o zíper do casaco até o pescoço para suportar o frio da África, dando início a aventura. Seguindo por uma trilha fechada na mata, com som de animais selvagens ao fundo, vindo de todos os cantos, eles andam por cerca de 30 minutos até pararem em uma clareira...
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Andy se abaixa apoiando uma mão no ombro de Dan e outra no de Julie, que estavam abaixados a sua frente, calados, olhando pra uma só direção: uma enorme cratera no solo, de onde saia uma misteriosa fumaça cinzenta e densa...
Escondidos atrás de uns arbustos, ambos adorariam entender o que estava de fato acontecendo ali. Por que haviam cercado o local com uma faixa amarela e tantos jipes e furgões pretos encontravam-se espalhados ao redor? E não era só isso, homens vestidos de preto examinavam toda a área com cuidado, usando aparelhos eletrônicos de alta tecnologia, enquanto outros vigiavam o local de onde saia a fumaça, sugerindo importância e perigo em potencial... É uma pena que de trás dos arbustos não pudessem enxergar o que havia de bizarro dentro da cratera: Algo que ia além da compreensão humana!!!...

"Risco de vida"

Louca para adivinhar, Andy sussurra por cima dos ombros deles:
-Quem são esses caras? FBI? CIA? Pentágono?
Daniel tira um binóculo infravermelho do bolso e observa a área por um segundo:
-Não acho que sejam do governo... -diz baixinho. - Há uma sigla nas costas do casaco deles, algo em inglês...
-Deixa ver – Andy pega o binóculo e olha. - Está escrito: The eXplorers
-The eXplorers? O que é isso??? Alguma idéia? - sussurra Jú.
Andrea responde depressa:
-Nenhuma. Mas, parece se tratar de algo grande. Se nos pegarem espiando...
Bastou falar isso, para ouvirem um jipe freando brusco atrás deles e uma voz masculina ordenar em inglês:
-GET OUT HERE!!!
Num susto, os três levantam e viram pra trás. Do jipe salta um homem de uns 28 anos, trajado todo de preto, com uma expressão séria no rosto, cabelos castanhos escuros, olhos azuis penetrantes, físico perfeito e bem distribuído nos seus 1,80 metros de altura, ou seja, um “pedaço de mal caminho”.
Achando que ele era americano e não ia entender seu idioma, Julie diz alto:

-Que ótimo! Ele quer que a gente caia fora daqui! Não contaria com isso!... De onde saiu esse cara? Do filme MIB?
Mantendo distância deles, o homem com um ar sombrio pergunta no seu tom de voz grave:
-Falam português?
Julie fica muda ao perceber que ele entendia sua língua e que com certeza ouviu as besteiras que disse. E, ao ver que Andrea parecia mais preocupada em enxotar um mosquito que a rodeava do que com o que estava acontecendo ali. Dan responde:
-Sim, falamos português... - ele começa sério mas, não resiste e acaba sendo brincalhão, como sempre. - Nós até dançamos desde que nos diga o que tá pegando nesse lugar.
-Sou da equipe de resgate – conta o sujeito. - Um helicóptero caiu no local e há uma vítima ferida dentro. Devem deixar a área, há perigo de explosão eminente.
Ignorando os mosquitos, Andy se manifesta, feliz por pensar que Dan e Julie haviam se enganado e que ela sim tinha razão:
-Agora que tudo foi resolvido, podemos voltar em paz e...
De repente, os olhos dela se cruzam com o azul profundo dos olhos daquele homem e uma estranha sensação fez com que esquecesse por completo o que ia dizer... Seus olhares faiscam! Era como se já tivesse visto aqueles olhos antes, mas não lembrava de onde, e ao mesmo tempo, sabia que sequer conhecia aquele sujeito, o que era super esquisito. Por um momento, imaginou se ele sentia o mesmo com relação a ela, pela maneira como encarava seus olhos com intensidade. Teriam continuado assim, perdidos naquela troca de olhares, se Julie não tivesse cortado o clima, colocando-se entre os dois e dizendo ao desconhecido:
-Quer saber? Pra mim, tudo o que disse é MENTIRA! Seja lá quem for, só está tentando nos afastar porque sabe que aquilo que está ali NÃO É HUMANO!
Sem se mostrar surpreso com o que Julie acabava de dizer, como se concordasse com sua teoria, ele desvia os olhos pra baixo a fim de atender um chamado do rádio comunicador que trazia preso a cintura. Uma voz masculina mais grossa que a dele, semelhante a voz de um monstro, ecoa na noite africana:
“-Atenção, equipe Alpha, cerquem o perímetro. Ninguém entra ou sai daqui!”
O rádio faz um chiado e é desligado logo em seguida. Então, o desconhecido que está diante deles com pose de poderoso, avisa:
-Pensando bem, é melhor que fiquem e sejam interrogados.
-QUÊ? - Daniel dá um passo a frente e o enfrenta. - E quem vai nos obrigar a ficar?
Mostrando que tudo pode, Luke acerta um soco no rosto de Daniel que cai esparramado no chão, igual tomate em final de feira...
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Ao ver a cena, Julie corre para perto de Dan, enquanto Andy reagia de outra forma, fechava os punhos preparando-se para uma revanche:
-Agora você me deixou zangada!
Andy dominava DOIS tipos diferentes de artes marciais, no decorrer de sua vida havia atingido um nível tão elevado que aprendera por muitas vezes que lutar nem sempre é o melhor caminho. Mas, vendo seu melhor amigo ferido, achou que aquele cara, apesar de lindo e sexy, merecia uma lição... O duelo estava prestes a começar...

"Jungle Fighter"

Concentrada como um monge oriental, Andy joga a mochila no chão e estica o braço esquerdo a frente fazendo pose de luta. Luke esquiva a cabeça para trás surpreso por perceber que existia uma mulher disposta a enfrentá-lo... Mestra de uma sabedoria milenar, Andy parte para o ataque, movendo-se igual a um “macaco”, usando as mãos como patas, pulando de um lado a outro e coçando a orelha, ela deixa seu oponente confuso. O homem vestido de preto não sabia se isso era pra valer ou apenas um plano para distraí-lo enquanto seus amigos fugiam... Ao passo que, Julie e Dan acompanhavam aquela cena hilária sem saber o que ia acontecer... Então, na oportunidade exata, Andy acertou o homem forte com golpes curtos. Ele se esquivou, se defendeu o quanto pôde, mas ao que indicava, a moça era três vezes mais ágil do que ele e decidida a vencer. Andy percebe que o rapaz sabia lutar, mas só fazia se defender. Por que não revidava? Quem era aquele sujeito por trás daquele olhar misterioso? Que segredos escondia?
Cansada de brincar de "Street Fighter” ou melhor, "Jungle Fighter", Andy aplica um nocaute, derrubando-o no chão como se fosse uma boneca de pano. Em seguida, vira para trás... Julie sorria, empolgada:

-Arrasou, amiga! Essa é uma boa tática pra deixar os gatos “caidinhos” por você!
Andy sorri aproveitando para recuperar o fôlego perdido:
-Chama Kung-Fu, estilo macaco – diz, voltando a olhar para o cara deitado no chão, justo quando ele ergue os olhos pra ela, mas continua onde está, fitando-a... Como se através do seu silêncio quisesse revelar algo.
Nisso, Dan levanta num pulo ao ver um bando de homens de preto vindo na direção deles e grita:
-FOMOS VISTOS!!! - aponta. - É, acho que não somos bem vindos aqui!
-Oh, merda! - diz Jú, enquanto Andy e Dan posicionavam-se ao seu lado.
Por um segundo, ambos sentiram que seria impossível escapar!!... Estavam cercados, um grupo vinha por trás e outro pela frente e dois pela lateral... Seria esse seu fim???... E agora??? ...Então, de repente, dois leões machos saltam por trás de uma moita fazendo com que todos parassem igual estátua. Os leões estavam caçando e qualquer movimento rápido naquele momento seria fatal. O rapaz nocauteado pela Andy levanta do chão em câmera lenta, tira um isqueiro do bolso bem devagar e acende. A tensão domina a floresta... Um simples isqueiro foi insuficiente para afastá-los, continuavam olhando para o grupo, rosnando, só esperando que alguém corresse para caçar... A pergunta da hora era: Quem seria o primeiro?? Por outro lado, Dan viu brilhar a chance que precisava para escapar daqueles malucos que os cercavam! Num tom baixo, ele sugere:
-Vamos sair de fininho, bem devagar.

Juntos, os três fogem “na ponta dos pés” até um jipe próximo e pulam pra dentro dele. Dan e Andy sentados na frente, e no banco traseiro, Julie vê quando um dos homens tira uma arma do casaco e aponta para os leões, caso se aproximassem ainda mais... O bom é que enquanto os leões estivessem rondando aqueles homens, eles não ousariam correr e nem gritar, muito menos pensar em seguí-los. Esperto, Dan faz uma ligação direta no jipe, partindo em disparada pela floresta. Eles são seguidos por morcegos, leões, hienas, baratas voadoras, e uma caravana de jipes.
-O QUE FAREMOS AGORA?- pergunta Jú desesperada, vendo os morcegos quase os alcançando.
-Relaxa, meu amigo Dan é campeão de rally! Ele é fera no volante, Jú! Sei que nós vamos ficar bem e... - Andy abre o porta-luvas e encontra o cartão de crédito daquele gato de olhos azuis.- Olhem isso!!! - grita, eufórica. - Luke Robbins!! O nome dele é Luke!... Então, esse jipe é dele!?... Caraca! Nós roubamos o jipe do Luke!
-Andy, pára de repetir o nome daquele brutamontes, tá? - protesta Jú cobrindo a cabeça com medo dos morcegos.
-Temos que pesquisar mais sobre ele... Algo nisso tudo não se encaixa! - afirma Andy passando o dedo indicador sobre a foto do cartão.
-Quer dizer que acredita em nós? Sobre os óvnis? - Dan ri convencido.
-Quero dizer que... HÁ MUITO O QUE SER INVESTIGADO! -responde Andy olhando outra vez para a foto do cartão que tinha nas mãos e deixando escapar um suspiro.

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Tempos depois, o jipe afunda na água quando tentavam cruzar um rio estreito e comprido a perder de vista. Dan bate a cabeça no volante e anuncia:
-Atolamos!... E o tanque tá vazio.
-Pelo menos, conseguimos despistar aqueles babacas. Devíamos festejar!- Jú pega o binóculo de dentro da mochila dele e olha. - Wow! Vejo um Spa a nossa direita e... Uma praia a nossa esquerda – brinca, rolando de rir, já que o frio da África só fazia aumentar e o humor distraia. - Que foi? Foi engraçado!
-De qual lado vê uma churrascaria? - brinca Dan com fome. - Tô pagando o rodízio.
Alguém tinha que dar um basta naqueles dois que não paravam de rir! Andrea, que parecia a mais sensata dos três, argumenta enquanto eles faziam piadinhas:
-Chega, gente! Existem pessoas atrás de nós! Testemunhamos algo secreto... Uma conspiração governamental talvez! Temos que avisar a polícia antes que...
-A polícia? - Julie ri, enquanto tirava uma lanterna da mochila do Dan. - Acha mesmo que vão acreditar em nós? Nem temos provas de que havia uma nave lá!

-E havia? - contesta Andy. - O que vimos naquela clareira? N-A-D-A.
-Tinha alguma coisa lá! – insiste a jovem piloto. - E pior, Luke pensa que vimos!
Tirando a mochila de perto de Julie, Daniel encara a situação sério pela primeira vez:
-Olha, não importa o que a gente faça, virão atrás de nós. Seja o que for que caiu naquele lugar, um grupo sinistro tentava esconder. Temos que enganá-los e rápido! – ele olha pro rio e tem uma idéia. - A água pode encobrir nossas pegadas!
-Certo – consente Julie saltando do jipe determinada. - Eu vou na frente... Mas, vamos precisar bem mais do que uma simples lanterna pra afastar os animais ferozes – ela se abaixa, pega um galho seco do chão e depois vira pro Dan. - Rasga um pedaço da sua camiseta pra mim, Tarzan?
-Por que da minha? - pergunta cretina.
-Porque eu e Andy somos mulheres, não vamos rasgar a blusa na sua frente!
-Ah, isso?... Bom, eu podia virar de costas – Dan sorri pra Julie lançando um olhar malicioso.
-Quer andar logo? - ela ergue o galho ameaçando bater nele e Dan rasga depressa.
Prossegue-se a fuga... A água gelada do rio adentrava seus sapatos fazendo com que sentissem mais frio a cada passo que davam. Julie ia na frente, carregando a tocha de fogo improvisada (de pano da camisa e madeira) na mão direita, seguida de perto por Dan e Andy, que sussurravam histórias macabras na escuridão. Enquanto falavam, era como se os olhos brilhantes dos felinos que espreitavam o rio não existissem, como se tudo fosse um pesadelo surreal...  

"Destinados?"

Andando, eles chegam até uma rede de chalés ao longo do rio Sabie. Os três param do lado de fora para resolver quem pagaria a hospedagem:
-Vamos usar o cartão do Luke! - sugere Jú. - Já usamos o jipe dele mesmo...
-Se fizer isso, seremos rastreados! – afirma Dan mostrando ter conhecimento em espionagem. - Sou detetive, aposto que essa hora ele deve estar levantando nossas fichas... Temos que evitar usar cartão de crédito por uns tempos.
-E cheque? – Andy revira a bolsa em busca do talão perdido no meio de tantos kits de maquiagens que trazia.
Num tom urgente, Julie releva algo inesperado:
-Olha... Por coincidência, tenho uma irmã que mora na África, o nome dela é Jessie. Podemos contar com sua ajuda. E depois, "se" encontrarem o jipe que deixamos atolado chegarão até nós num piscar de olhos.
Dan se aproxima, afasta uma mecha de cabelo castanho da frente do rosto de Julie com ternura e diz:
-Procurar sua irmã agora, vai colocá-la em perigo, Jú – tira a carteira do bolso. - Eu pago a conta dos chalés a dinheiro, depois acertamos - eles ouvem uma trovoada estrondosa. - Acho que vai desabar uma tempestade... Duvido que continuem a perseguição essa noite.
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Com a chave de um chalé simples nas mãos, as garotas se instalam e desfazem as malas rapidinho. Só tinha uma cama no quarto, então Julie e Andy disputam no par ou ímpar pra ver quem vai ficar com a cama. Julie ganha... Anestesiada, ela se joga na cama com um largo sorriso close-up no rosto. Depois de tanta correria, nada melhor do que uma pausa pra descanso. Sentia-se segura naquele rústico chalé de alvenaria, apesar da aranha viúva negra que balançava num dos cantos do teto e de estarem sem tv, internet, ou glamour, até que era aconchegante. Por sua vez, deitada no sofá ao lado da cama, Andy parecia tão calada e distante em seus pensamentos que Julie resolve puxar conversa pra trazê-la de volta a realidade:
-Amigaa!! No que tá pensando?
-...Luke – responde Andy, mas logo se arrepende. - Ai! Não quis dizer isso!... É que... Bom, na verdade pensava em tudo de modo geral, entende?
Jú senta de frente pra ela, expressão confusa:
-Luke? Você disse Luke???
Andy sacode a cabeça fingindo, mas era impossível negar:
-Tá bom! Quando vi o Luke naquela clareira tive uma sensação estranha, como se já o conhecesse antes... Fico imaginando se o verei de novo.
Julie fica perplexa:
-Oh, merda! Meu, você tá gostando de um “serial killer”, um “Darth Vaider do mal”!! Não acredito nisso!
Pondo-se de pé, Andy caminha descalça até a janela, sentia necessidade de se movimentar e ordenar seu raciocínio. Dentro do chalé a temperatura era quente, havia um enorme tapete felpudo no chão e uma lareira acesa, com o som da lenha envolvida pelas chamas estalando ao fundo. Da janela, ela vê Dan no chalé em frente, sentado na varanda, conversando com uma garota dentro do chalé dele. Mesmo em situações extremas ele não perdia a chance de arrumar uma paquera... Era impressionante!
-O que está olhando? - pergunta Jú curiosa.
-Hã?... Nada.
Virando os cabelos loiros pra trás, Andy volta ao assunto enquanto pára diante do espelho do banheiro procurando alguma imperfeição em seu rosto de porcelana impecável. De lá, grita:
-Nem sabemos se Luke é um “serial killer”! Aliás, nada sabemos sobre ele.
-Ele deu um soco no Dan! Quer nos matar! - retruca Jú. - Acha isso pouco?
A jovem arqueóloga passa um creme noturno no rosto e volta para sentar no sofá com um cheiro de pepino suave, a expressão calma em seu rosto deixa Julie ainda mais confusa:
-Pensa bem, Jú... Como explica que Luke não usava armas? E depois, quando nos seguiram, ninguém atirou em nós. Por quê? Talvez só tivessem tentando conversar com a gente... Numa boa.
Quase caindo da cama de tanto rir da inocência dela, Julie indaga:
-Como pode pensar assim? Em que mundo você vive, amiga? Aposto que Luke está em algum lugar nesse momento conspirando contra nós... Ele e os outros "caçadores de ovnis”. Andy, aqueles caras estavam armados sim, eu vi! Um deles tinha uma arma na cintura. E o Luke também devia ter uma arma enorme escondida... – ri com malícia.
Andy joga um travesseiro em Julie, que faz uma careta engraçada e joga de volta. Uma amizade verdadeira se inciava...
-Ao que parece, eu sou a realista aqui. Você “viaja” demais; “caçadores de ovnis”? Hahaha Isso NEM existe!
-SériooO? - debocha. - Devia começar a manter a mente aberta, viu?
-Ok. Você disse que é Astrofísica, não é? Dedica sua vida à pesquisa do universo. Por acaso já teve alguma evidência de que exista vida fora da Terra?
Julie fica séria por um instante, acomoda-se melhor, deitando e apoiando a mão direita na cabeça, depois revela:
-Tô tentando captar um sinal vindo do espaço... Mas, ainda sem sucesso.
-E acredita que irá conseguir um dia?
-Claro! Seja sinal do espaço, do além, ou mesmo sinal de fumaça, o que vale é a intenção! - brinca e ambas riem. Como sabia que a amiga era cética, Jú resolve mudar de assunto. - Andy, se quiser posso fazer seu mapa astral, eu entendo de Astrologia. Isso ajudaria a manter sua “cabeça oca” aberta a coisas novas!
-Sim!... Fazemos um lanche primeiro e vemos o mapa depois! - propõe Andy levantando e indo buscar uma bandeja disposta sobre a mesa do quarto, contendo um “kit de lanche do chalé”, com salgados, sucos e guloseimas. Era como um banquete caído dos céus!
As duas sentam sobre o tapete felpudo, fofocam sobre suas crenças, sobre homens, maquiagem, dão risada de tudo enquanto devoram o lanche e só acabam adormecendo altas horas da madrugada...

Local Secreto – Africa do Sul

-Como deixou que escapassem, Luke? Seu incompetente!

Luke continua parado diante do chefe e justifica:
-Eles tiveram sorte, senhor. Vou rastreá-los ao amanhecer e o plano seguirá conforme planejado.
-Faça o que for preciso! A humanidade não está pronta para o que está por vir!
-São apenas três jovens... Não vão longe...
-Para o seu bem, Luke, é melhor que não! – encerrou o chefe em tom de ameaça, saindo dali fuzilando.

Ongo-Bongo Chales e Resort – Suazilandia, Africa – 10 am
Sentado numa cadeira de balanço do seu confortável chalé com saída direta para a piscina, Daniel buscava respostas na internet. Apenas de bermudão cáqui e sem camisa, ainda não tinha se acostumado ao clima da África: frio de noite e tão quente de dia, sem falar no fuso-horário. Entretido em sua investigação pessoal, só desgrudou os olhos do laptop quando a porta abriu de repente e por ela entraram Andy e Julie. Ambas de shorts curto, blusas leves e óculos de sol no rosto. Num tom alto, Andy anuncia:
-Dan. Temos novidades quentes!
Largando o laptop sobre a mesa, Dan passa rápido por Julie indo fechar a porta azul. Só então ela nota o quanto o detetive ficava lindo sem camisa, até que ele era um gato de tirar o fôlego! Antes que as meninas dissessem algo, Dan se adianta:

-Novidades sobre: The eXplorers?
Andy parecia preocupada com algo maior ao sentar na cadeira dele:
-Que nada! Pedi a Julie que fizesse meu mapa astral e adivinha o que descobri? ALGO ASSOMBROSO!!
-Sabe que não creio nessas coisas, Andy – ele mostra-se descrente.
Por acaso, Julie encontra um pacote de bolachas salclick aberto sobre a cômoda, e começa a comer uma a uma, enquanto conta:
-Hum... Nossos mapas estão interligados, há uma razão para estarmos juntos na África. O destino, os deuses, ou uma força oculta nos uniu, só não sei porque.
-Eu sei, coincidência! – ele sorri indiferente. - Podemos voltar a falar do ÓVNI?

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