sábado, 2 de abril de 2011

"O início de tudo"

Residencia de Andrea Sullivan - Sao Paulo 07:30pm

A luz do quarto ainda estava acesa e o silêncio só não era completo devido ao sopro frio do vento que vinha de fora. Com rapidez, a garota de 25 anos, vestida de preto, cabelos castanhos lisos com mechas douradas da altura da nuca, fechou o zíper de sua mochila emborrachada sobre a cama. Nada poderia detê-la agora, era hora de viajar!! Rumo a novas aventuras e descobertas! No entanto, desatenta ao que acontecia ao redor, de repente sentiu “algo” tocar seu ombro e virou pra trás assustada!... Para sua surpresa, era apenas a cortina branca da janela que se movia como um fantasma imenso e ameaçador, prestes a agarrá-la a qualquer momento. Ufa! Ajeitando a mochila nas costas, Andy abre um sorriso secreto, dizendo a si mesma:

-Isso é o que dá assistir tanto filme de terror... Agora vejo fantasmas nas cortinas!
Então, ouve uma buzina de carro vinda da rua: o som era a inconfundível risada do pica-pau. Dando um passo pra trás, aplica uma última olhada no quarto: espalhadas sobre a curiosa colcha de retalhos disposta sobre a cama de ferro, laqueada de branco, haviam várias peças de roupas; almofadas jogadas pelo piso de madeira, ao invés de enfeitarem o sofá de vime próximo a janela; sem contar as meias coloridas que tentavam escapar das gavetas como um arco-íris... Que bagunça! Acabava de pôr em dúvida a sua fama de garota “certinha”, e quem se importava? Era independente, estava com a cabeça a mil e depois... Seria super divertido arrumar tudo na volta!... Depressa, a jovem desliga a luz e deixa o quarto, desce as escadas correndo, passa pela sala ampla onde espicha os olhos para os porta retratos de família, e bate a porta do sobrado ao sair. Do lado de fora, um rapaz a esperava, encostado em seu velho jipe vermelho: companheiro de aventuras off-road. Assim que Daniel vê Andy, fala num tom brincalhão:
-Pronta pra zarpar? - abre um sorriso lindo exibindo duas covinhas no rosto.
-Quase! Já teve a estranha sensação de estar esquecendo algo, Dan? – brinca Andy com um sorriso sarcástico, dando-lhe um abraço.- Claro que sim, sempre pronta! Vamos nessa?
Dan sorri novamente. era o tipo de cara bem humorado, de 26 anos e olhar de anjo. Tinha o cabelo castanho curto, físico levemente atlético, alto e, embora todos pensassem o contrário, a relação entre eles era apenas de amizade. Assim que entram no carro, Dan pergunta com ar de provocação:
-Vai passar cinco dias na Austrália e só o que trás é uma mochila?
-Pretendo comprar coisas novas lá!
Ele se surpreende ainda de bom humor:
-Nem pegamos o avião e já pensa em gastar? Você não existe!
Ambos trocam um olhar cúmplice enquanto partiam a toda velocidade rumo ao aeroporto... Prestes a embarcar em uma viagem alucinante!...

*Aeroporto internacional – 8:00pm
Tudo parecia correr bem de início, quando a dupla decola no Boeing com destino a Austrália, mas... Ao sobrevoarem a África, um estranho fenômeno acontece. Sem que esperasse, a música “Fix You”(ColdPlay) que Andy ouvia no mp3 é substituída por uma série de zunidos inconstantes e agudos. Ela arranca os fones de ouvido e dá um tapa no braço do amigo:
-Dan! O que você fez?
-O que EU fiz? - ele fica sem entender. - Do que tá falando?
-Do zunido no meu mp3! É brincadeira sua, não é? Você apertou algum botão sem que eu visse e...
Do nada, as luzes do avião piscam seguidas vezes. Todos sentem um forte solavanco. A comissária dirige-se as pressas para a cabine do piloto, podia-se notar que suas mãos encontravam-se trêmulas. Virando pra Andy, Dan cochicha:
-Acredita se eu disser que também ouvi algo estranho??... Acho que veio de fora!
Ela não tem tempo de responder de volta. BAM!!! Um barulho brusco acompanhado de outro forte solavanco faz com que os objetos caiam do porta-bagagens sobre as pessoas, gerando pânico no ar, enquanto tudo o que era elétrico apagava sem motivo. A impressão era de que “alguma coisa” havia se chocado contra o avião, ou “eles” batido em “algo grande”. Mas, o quê??? Terminada a “turbulência”, um rapaz gordinho grita lá do fundo, chamando a atenção de todos:
-Onde ela pensa que vai? Vá sentar, mocinha!
Eis que surge no corredor uma bela jovem usando um chamativo sobretudo vermelho, correndo sem temer o perigo, e entra feito um foguete na cabine do piloto. Devia ter uns 24 anos, estatura média, e seus cabelos castanhos longos estavam presos de improviso por uma caneta bic no alto da cabeça. Segurando firme no assento, Andy alerta:
-Dan! Isso NÃO É uma turbulência comum! E, acho que aquela garota que passou sabe o que tá havendo... Você é detetive, faça alguma coisa!!
-Ok, vou checar – avisa, desativando o cinto de segurança e levantando.- Fique aqui e tranquilize os passageiros.
Sem dizer nada, Andy coloca a máscara de oxigênio que agora despencava sobre as pessoas e fecha os olhos com força. Antes de acalmar os passageiros, era preciso acalmar a si mesma... Afinal, ela era uma simples arqueóloga e não comissária de bordo.
<><>
Logo de cara, Dan descobre algo que o deixa intrigado: a cabine tinha sido trancada por dentro. Mas, como era um detetive ótimo em burlar códigos eletrônicos, dá um jeito de abrir a porta, entrando na cabine do piloto de supetão. E, o que vê o deixa de boca aberta!!... Na frente do avião, um objeto metálico sob a forma de prato, de luz intensa e penetrante, mantinha-se imóvel no céu como se planasse. Deu pra notar que havia uma espécie de cabine na parte superior do objeto e, embaixo, luzes azuis hipnóticas. A primeira impressão era de que aquilo não era real, que fazia parte de uma ilusão de óptica, de um delírio momentâneo e inaceitável. Até que alguém surge por trás de si e puxa seu braço, assustando-o:
-NÃO DEVIA ESTAR AQUI! - era a misteriosa moça do sobretudo vermelho.
Virando para trás, Dan a encara confuso, depois volta a olhar pra frente com atenção redobrada. Só então percebe que o piloto, copiloto e a comissária pareciam em estado de hipnose, como se fossem estátuas de cera que respiravam, controlados por “aquela luz”. Dan até tenta sacudir o piloto, mas percebe que nada o fazia reagir... Estava paralisado!!!! As únicas pessoas conscientes ali, eram ele e a garota de vermelho de pé ao seu lado. Em tom de dúvida, pergunta com os olhos fixos no disco voador:
-VOCÊ TÁ VENDO AQUELE “OBJETO” EM FRENTE O AVIÃO??? TÁ VENDO O MESMO QUE EU??

-SIM... É UM ÓVNI!! E QUER SABER? TEM MAIS LÁ FORA!- afirma a jovem sem hesitar, nem demonstrar medo.
Daniel a olha sentindo-se “mais perdido do que cebola em salada de frutas”, ela falava de um modo como se já tivesse visto aquilo antes, como se fosse algo normal e... Bom, esse não é o tipo de fenômeno que se vê por aí todos os dias... Estamos falando de discos voadores, de forma de vida extraterrestre!... Quem já viu algo assim?

Nenhum comentário:

Postar um comentário