sábado, 2 de abril de 2011

"Buscando respostas"

Julie olha de relance para Daniel enquanto se aproxima dele, antes não havia reparado o quanto ele era bonito, alto, talvez porque estivesse mais preocupada com o impacto do avião no solo, ou com a suposta “ameaça de invasão alienígena na Terra”.
-Procurando por mim? - pergunta como se já soubesse a resposta.
Abrindo um sorriso charmoso, Dan consente e se aproxima um pouco mais, parando a um passo de distância dela:
-Acho que não fomos apresentados direito. Meu nome é Daniel e essa é minha amiga Andrea, ou Andy se preferir – diz sem tirar os olhos da Julie, enquanto Andy vinha se juntar a dupla.
Jú se limita a acenar com a cabeça, não era o tipo de pessoa que sai dando mil beijinhos em quem acaba de conhecer. Num tom amigável, Andy aproveita pra fazer um elogio, sua voz soa suave como uma brisa:
-Puxa! Você deve ter muita experiência como piloto! Ou então, não seria doida de fazer uma aterrissagem daquelas.

-Na verdade, sou doida! Foi a primeira vez que fiz algo assim! – admite Jú com um sorriso debochado, enquanto os dois a encaravam espantados. - Sou astrofísica formada, pilotar é apenas farra pra mim, nunca trabalhei como piloto na vida, tudo o que sei aprendi com meu pai, ele sim era um ótimo piloto... Eu só dirijo ultraleves velhos, desses caindo aos pedaços e cheios de perigo, mas nunca um Boeing com tantos passageiros... Meu, foi pura sorte!
Descontraída, Julie dá uma piscadinha para os dois e se abaixa, abrindo a mochila para guardar a luneta dourada, enquanto ouve Daniel pedir algo com sua voz de veludo:
-Ouça, Jú... Andy duvida que vimos óvnis lá em cima. Diga pra ela a verdade.
Admitir algo tão importante agora seria o mesmo que “pisar em terreno perigoso”, Julie silencia por um instante buscando uma outra saída. Sabia que o melhor seria fazê-los esquecer o assunto, evitar especulações futuras. Afinal, nem toda a humanidade está preparada para a existência de vida fora do planeta:
-O que houve foi... uma pane – mente.
Apoiando o braço no rochedo e olhando dentro de seus olhos de um jeito super desapontado, Dan insiste:
-O que há com você, Jú? Diga verdade! - silêncio. - Andy não vai contar pra ninguém, estamos todos juntos nisso!

Com a maior “cara de pau”, Julie põe a mão no ombro dele, e diz séria, como uma atriz representando uma cena de novela dramática:
-Dan, aquilo que você viu no céu era um “urubu”. Foi o urubu que causou a pane nas turbinas e nos fez cair. Lembra?
Sem se conter, Andy racha de rir, achando que o amigo viu um “urubu” e imaginou ter visto um “disco voador”:
-Eu sabia, que mico! - pausa. - Dan, é comum avistar luzes no céu a noite ou papéis brilhantes levados pelo vento e imaginar coisas. Extraterrestres não existem! Vem, vamos voltar pra perto dos outros passageiros!
-”ELES” EXISTEM! E VEM NOS VISITAR!- afirma Dan olhando pra Andy e depois voltando-se pra Julie. - Só que poucas pessoas sabem e preferem guardar segredo!... Por medo talvez... Achei que fosse mais corajosa, Julie!
Como tinha o gênio forte, Julie se irrita com o comentário dele e responde áspera:
-E o que VOCÊ sabe sobre mim? Nem me conhece, cara! - ela o encara de frente. - Eu detesto ser chamada de medrosa!
-Tem razão, não conheço você... Mas, adoraria conhecer. Conte a verdade e quem sabe podemos nos conhecer melhor... – sugere Dan chegando mais perto e exibindo um sorriso conquistador irresistível. - Por favor, Jú, não é tão difícil assim dizer o que viu.
-Isso é ridículo! - zomba Andy sem acreditar nele. - Daqui a pouco vão dizer que era o Papai Noel montado num trenó. Vamos lá, Dan, estamos perdendo tempo aqui.
Ao perceber o quanto Andy era descrente nesse assunto e o quanto iria zombar do Daniel por causa de sua mentira, Julie muda de idéia, e torcendo pra que Andy estivesse preparada para a realidade, revela:
-Está bem... Está bem... Quer saber o que vimos? - pausa longa. - Foi algo enorme, que bateu em nós com uma força suficiente pra destroçar uma das asas do avião e depois cair, há metros daqui!... E está bem perto porque... Acabei de ver na minha luneta.
-Sério??? - Dan não esperava por essa e quase cai pra trás. - Mesmo?? Fala sério!
Ela faz suspense antes de continuar:
-Bem, só avistei uma nuvem de fumaça escura, mas minha intuição diz que veio do óvni. E se estiver certa, deve haver um extraterrestre ferido lá, devíamos ajudar.
Crente que era uma piada, Andy dá outra gargalhada:
-Estão brincando, né? Isso não pode ser verdade! É loucura!
-Será?... Talvez a Julie esteja certa. Por que não vamos conferir? - propõe Dan em tom de desafio. - O resgate vai demorar horas, nada melhor do que um “safári noturno” enquanto esperamos. E aí? Quem tá comigo?
-Eu já ia pra lá de qualquer jeito – diz Julie balançando os ombros e os dois viram para Andy.
A idéia era tentadora, porém arriscada. Podiam ser picados por uma cobra venenosa antes mesmo de chegarem na metade do caminho. Mas, naquele momento, nenhum dos três sentiu medo... Era cedo para temer, comparado ao que estava reservado para eles depois...
-Fechado! - Andy concorda depressa. - Vamos explorar a Africa selvagem.
Pronta pro que der e vier, Andy ergue o zíper do casaco até o pescoço para suportar o frio da África, dando início a aventura. Seguindo por uma trilha fechada na mata, com som de animais selvagens ao fundo, vindo de todos os cantos, eles andam por cerca de 30 minutos até pararem em uma clareira...
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Andy se abaixa apoiando uma mão no ombro de Dan e outra no de Julie, que estavam abaixados a sua frente, calados, olhando pra uma só direção: uma enorme cratera no solo, de onde saia uma misteriosa fumaça cinzenta e densa...
Escondidos atrás de uns arbustos, ambos adorariam entender o que estava de fato acontecendo ali. Por que haviam cercado o local com uma faixa amarela e tantos jipes e furgões pretos encontravam-se espalhados ao redor? E não era só isso, homens vestidos de preto examinavam toda a área com cuidado, usando aparelhos eletrônicos de alta tecnologia, enquanto outros vigiavam o local de onde saia a fumaça, sugerindo importância e perigo em potencial... É uma pena que de trás dos arbustos não pudessem enxergar o que havia de bizarro dentro da cratera: Algo que ia além da compreensão humana!!!...

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