sábado, 2 de abril de 2011

"Na mira do objeto"

A jovem respira inquieta, no entanto, Dan podia ver em seus olhos que ela tinha certeza absoluta de cada palavra que dizia:
-Sabe aquele solavanco que tivemos? Batemos num óvni! E acho que o deixamos bem irritados!... Há mais de uma nave lá fora a nossa espreita, mas sou piloto e vou cuidar de tudo. Agora, por que não volta de onde veio? Tá atrapalhando!
Determinada, ela segue em direção ao piloto e o tira de seu assento, ocupando seu lugar. Era questão de vida ou morte, pra que perder tempo discutindo com um intrometido que sequer conhecia? Mas, ao invés de ir embora, Daniel se aproxima e faz o mesmo com o co-piloto, perguntando curioso, enquanto sentava a seu lado:

-Afinal, quem é você, gata? Vem sempre por aqui?
Surpresa com a pergunta dele, que soava mais como “a pior cantada do mundo”, ela sorri e responde:
-Julie. A piloto que vai salvar esse vôo... E você?
-Dan. O louco que vai tentar ajudar – responde de volta.
Sem demora, a garota começa a acionar os comandos do Boeing com a segurança de uma profissional competente. No entanto, isso dura pouco, sem explicação ela interrompe o que está fazendo e olha nos olhos dele por um instante, como quem tem uma “surpresa” pra contar. Daniel repara em seu rosto bronzeado, delicado, sem contar no seu agradável perfume de rosas que se dissipava pela cabine como um buquê. Talvez a convidasse para jantar um dia desses “se sobrevivessem a esse momento de adrenalina pura”, é claro. Em tom de alerta, Jú avisa:
-OS COMANDOS NÃO FUNCIONAM! NADA FUNCIONA!! HÁ ALGO ERRADO NESSE VÔO! - ela pede socorro pelo rádio em inglês. - MAYDAY! MAYDAY! WE HAVE A BAD SITUATION HERE! MAYDAY!!! - ao ver que o rádio parecia fora de sintonia, com um chiado barulhento ao fundo, vira pro Dan e resmunga qualquer coisa baixo. - ...E os astros diziam que hoje era meu dia de sorte!...

Dan procura manter a calma, sua voz agora assumia tom de veludo:
-Tudo bem, Julie. Você disse que podia cuidar de tudo, não é? Então faça isso, é simples assim.
-É estranho!... Perdemos um pedaço da asa direita com a colisão, o avião devia estar caindo num parafuso mortal... E, no entanto, continuamos planando, PARECE QUE ESTAMOS SENDO CONDUZIDOS PRA ALGUM LUGAR, só não sei pra onde!
Ao ouvir isso, o detetive se desespera! Parecia impossível manter-se calmo com aquela garota de vermelho do seu lado:
-Se o seu plano era me deixar apavorado, parabéns, conseguiu! - ele berra.
-Ótimo! Era tudo o que eu queria! - rebate Julie com ironia, depois volta-se para o painel e continua falando, sem conseguir olhar pra ele. - Nunca passei por isso antes, ok? Também tô assustada!! Acho que estamos sendo conduzidos pra baixo porque estamos perdendo altitude, mas sequer posso acionar a torre porque o rádio foi detonado... A idéia era aterrissar na África e...
-ÁFRICA??? O que fazemos na África?? - ele fica pálido. - Preciso chegar a tempo pro casamento do meu irmão na Austrália!!
Sem pensar, ele fecha o punho e dá um soco no painel de controle com toda a força que tinha. De imediato, as luzes da cabine piscam várias vezes e os óvnis desaparecem riscando o céu feito show de laysers na escuridão infinita, ao mesmo tempo em que os comandos voltam a funcionar bem quando estavam próximos do solo e a uma velocidade razoável. Enquanto ele sacode a mão que doía por conta do soco, Julie assume o controle da aeronave com um sorriso de quem vai aprontar alguma:
-Consegui! Prepare-se! Agora sim nós vamos nos divertir!
Daniel segura firme no assento e reza. Não sabia o que era pior: o óvni controlando o avião, ou a Julie. Em segundos, realizavam uma aterrissagem forçada em uma área remota da África do Sul. Julie foi arrastando galhos, plantas, árvores, teias de aranha, cobras, e tudo o que havia pela frente com o avião em uma corrida alucinante. Até parar em uma clareira, livrando os passageiros de uma queda fatal. Vivos e contentes, Jú e Dan se abraçam.
Regiao desconhecida – Africa do Sul – No meio da madrugada
Sem que ninguém percebesse, Jú afasta-se dos passageiros pra descobrir algo que não saia de sua mente: ela viu quando o óvni se chocou com o avião e mudou de curso, sabia pra qual direção seguiu porque o avião foi “conduzido” para um local próximo e nesse momento, estava a caça do objeto. Aproveitando que todos estavam distraídos, escolhendo lugar para fazerem uma fogueira a espera do resgate, ela escapou por uma trilha escondida, desviando das plantas do caminho com as mãos e subiu em um grande rochedo. Sozinha, tirou uma luneta dourada de dentro da mochila – sua luneta de estimação - ajustou o foco e olhou... Não para as estrelas, mas para uma região perdida nas matas. E o que buscava, estava bem ali... Tão perto... Tão fácil de ser alcançado... Só o que não contava era ter sido seguida por Daniel:
-Julie? - chama Dan a uma certa distância, procurando-a. - Está aí??
Rápida. ela abaixa a luneta e vê Dan se aproximando com uma garota loira. Sem demora, pula do rochedo indo ao encontro dos dois... O que ele podia querer justo agora?


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